quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Segredos...

'Nada nos deixa tão Solitários quanto nossos segredos... '

Bem, a frase não é minha é de Paul Tournier que por sua vez foi citado por William P. Young no livro' A CABANA'.
Excelente livro, embora seja fácil para alguns não gostar dele...
É fácil para mim mergulhar em livros, quando leio as historias, inventadas ou reais de vários autores procuro respostas para minha própria história e procuro as vezes fugir um pouco desta...
Mas, se há algo de bom que a idade traz, é o conhecimento de que quanto mais corremos da realidade, mas ela nos alcança dura e crua... E às vezes doce e maravilhosa... Somos meio cachorros perseguindo o próprio rabo nestes momentos.
Mas mesmo a experiência e o tempo não nos torna perfeitos, pelo menos não nesta vida!!!
Então de vez quando me pego correndo atrás do próprio rabo, no caso uma corrida bem antiga, tão antiga que já parecia terminada há tempos...
Mas há algo de escorregadio nos segredos que guardamos, se falamos dele uma única vez então, de alguma forma ele não é mais um segredo, porque foi dividido e quanto mais dividido menos segredo.
As vezes passamos tanto tempo escodendo-o, que é como se ele não existisse, morresse estéril sem deixar descendentes, daí acharmos que nos livramos dele.
Mas segredos não são estéreis, eles se ramificam, plantam sementes e estão lá prontos para emergir e crescerem mesmo que durante muito tempo tenham ficado no solo pouco fértil do esquecimento.
Bem, eu tenho meu segredo, minha semente escura esquecida e guardada tão profundamente que é como se não existisse, as vezes chego a duvidar que exista...Ela ficou lá 14 anos, esquecida, adormecida, uma semana que me deu um rumo totalmente diferente daquele que seguia...

"Duas estradas se bifurcaram no meio da minha vida, ouvi um sábio dizer. Peguei a estrada menos usada.
E isso fez toda diferença cada noite e cada dia"
Larry Norman (pedindo desculpas a Robert Frost)

E mesmo agora que penso neste segredo ele não se materializa nem em palavras escritas nem nas pronunciadas, ele quer permanecer segredo, embora agora não consiga ignora-lo.
Ele queima minha garganta e chega bem perto da boca mas retrocede e se esconde de novo, ou melhor eu o escondo, em lembranças novas que vem vestidas em cores bem mais alegres que as antigas.
Eu acredito que vou esquecer novamente, embora a outra coisa, esta as vezes não tão boa, que a idade traga, é que amolecemos...Bem, eu estou amolecendo, não consigo mais manter minha pose de durona o tempo todo e não consigo mas botar meus sentimentos de lado com tanta facilidade.
O pior, acredito eu, é perceber que por mais ignorado que ele tenha sido, ou mesmo por isso, ele esteve presente cimentando várias de minhas ações ao longo da vida, acho que terei de enfrentá-lo, olhá-lo de frente e perceber que não é uma quimera mitológica, e sim apenas um ratinho assustado que pode até passar despercebido.
Mas primeiro sou eu que tenho que enfrentá-lo, sentar em uma mesa tomarmos um café e acertamos nossas velhas contas, até lá continuo dando voltas e perseguindo meu próprio rabo!!!!!!!!!!!!

Um comentário:

  1. olá.
    Visiei o teu blog por acaso (livro de Zafon).
    Gostei do que li.
    Peço autorização para te linkar (já o fiz)
    Um beijinho

    ResponderExcluir